Renascer de novo

Renascer, significa nascer de novo.

Um pedido concedido, um serão entre gente conhecida, um bom vinho e até umas boas risadas.

Olhei por instantes para ti, tu olhas-te e eu disfarcei. 

Fiz uma pausa por uns segundos para absorver toda aquela harmonia onde nós os dois estávamos incluídos. 

Voltei a olhar para ti e sem que desse permissão, a minha mão passou pela tua perna e percorreu até que encontrou a tua mão.

Tentei recolhe-la, mas tu rapidamente apertas-te-a com tanta força, que tal tentativa fora impossível. Olhámo-nos nos olhos e por momentos tínhamos recuados uns 10 anos. Sabíamos perfeitamente o que cada um queria dizer naquele momento e não era preciso dizer uma única palavra.

A conversa à mesa continuava animada. Éramos 4 casais, todos com filhos. Nós os únicos com 3 filhos e todos eles rapazes. 

Para dizer a verdade não estava com vontade nenhuma de ir a esta festa. Por um lado, o meu estado psicológico e anímico não era o melhor, e por outro, as coisas entre mim e o meu marido iam de mal a péssimo, por isso a última coisa que me apetecia era ver pessoas e fingir que estava tudo bem, que éramos um casal super feliz e de bem com a vida. Logo eu que nunca lidei bem com hipocrisia. Tal vez por isso não consiga ser feliz.

Mas, não querendo piorar ainda mais as coisas, e perante o pedido do meu marido, decidir ir.

Ainda bem que fui!!!!

Foi tudo perfeito! Talvez o vinho tenha ajudado. 😀

Chegámos a casa eram 2 da manhã e com os miúdos ainda acordados a primeira coisa  que ouvi foi: Obrigada por teres ido.

Apenas respondi: de nada!

Miúdos na cama e fomos deitar.

– Até amanhã!

– Até amanhã!

E assim, estava prestes a terminar mais um dia, mais uma noite. Pelo menos não discutimos. Pelos menos não me fez pensar em duplicar a dose da medicação.

O desespero acalmara por momentos. Consegui voltar a respirar por breves momentos.  Era melhor aproveitar, pois não sei quanto tempo iria durar. 

Viro-me de lado, fecho os olhos para adormecer e sinto o seu  corpo a aproximar-se. Não sei o que fazer. Fico completamente confusa. Ele agradece-me novamente. Pergunta se me pode abraçar. Eu hesito por momentos, porque tenho medo, mas digo que sim. Aliás, anseio pelo seu toque. Pela sua mão na minha pele, pelo passar dos seus dedos nos meus lábios, pela sua respiração perto do meu ouvido. Mas nada disso. Apenas e só um abraço em concha.

Acabámos por adormecer!

São 5:30 da manhã, acordo meio atordoada com tudo o que se tinha passado na noite anterior, tu ainda dormias, olho para ti e abraçando-te, digo-te: Gosto tanto de ti! 

Sem estar à espera e ainda de olhos fechados tu perguntas: só gostas?

Ao que eu respondo: Não, meu amor, eu amo-te. Por isso sofro.

Não resisti. Enchi-te o rosto de beijos. Tu, ainda meio sonolento e o meu coração enchia-se de ternura ao olhar para de ti. 

Meus lábios passaram cada curva do teu rosto, cada curva dos teus olhos, da tua barda, da tua orelha, até que a paixão, o desejo, a raiva, o medo de nos perdermos se converteu na explosão de um beijo longo e profundo, tão sentido, que as lágrimas caíam-me do rosto.

Tu sabes que não gosto de sexo por sexo. Não gosto, por isso parei. Não é que não quisesse, que o corpo não pedisse. Tinha de te perguntar, mais, tinha de o sentir.

Tinha de saber se avançássemos, aquilo era sexo ou amor. Porque ultimamente estamos sempre de costas voltadas, sempre a discutir. Preferi ir devagar para me sentir segura.

Deitados, de frente um para o outro olhamo-nos nos olhos. Meus dedos passeavam pelos contornos do teu rosto, dos teus lábios. Tuas mãos passeavam pelo meu corpo, teus lábios, tua língua húmida e quente acariciavam cada contorno do meu corpo e este respondia de imediato, num movimento pouco controlado.

– É Amor?

– Lembraste da primeira vez que dormimos juntos? 

– Em Castelo de Vide? 

– Estava tão nervoso! Gosto tanto da imagem que guardo tua. Tu só uma túnica toda sexy, na varanda, a fumar um cigarro.

Não respondi mais nada. Pois aquele dia, ou melhor, aquela noite, tinha sido a noite que tu ficaste a saber alguns dos meus medos, dos meus receios, dos meus traumas, das minhas inseguranças. E passados tantos anos todos eles se mantêm. Porquê?

Perante aquele cenário a minha resposta não poderia ser outra.

A entrega foi total! Os nossos corpos fundiram-se ! O desejo carnal, era algo inesplicavel. O amor transformara-se em fogo, que ardia e que por vezes doía. 

Era como se nos quiséssemos consumir. Consumir o nosso amor. Se é que isso é possível. Foi tudo tão intenso, que por momentos tive medo.

Renascemos!

A nossa chama renasceu!
Naquela madrugada o nosso amor renasceu por duas vezes!

E que bom que foi!

Até quando vai durar esta paz, esta chama?

A queda do império 

Começou!

A não ser que alguém me faça ver, sentir que não. 

O início do fim, começou!

Os sonhos, o amor eterno, os projetos em conjunto, as viagens, tudo parece não ter lugar no nosso ‘nós’.

Eu sei, que fui eu a grande culpada.!Tu não aguentaste a pressão, as minhas dores, as minhas deficiências os meus desiquilibrios e sucumbiste também. Acabamos por sucumbir os dois.

Não aguento, não vou tolerar mais que me olhes com tanta agressividade no olhar. Que sinta o teu corpo tenso, prestes a explodir. Não vou permitir que me impeças de sair do quarto e ir para outra parte da casa, porque não me apetece discutir (estamos sempre a discutir) e porque preciso de momentos de tranquilidade e de paz. Afinal, de manhã estávamos mais ou menos tranquilos, pelo menos, não estávamos de costas viradas.

Não vou permitir ter medo de ti! Pois foi isso que tive, que senti!

Não vou permitir que sinta por ti o mesmo medo que outrora senti por outras pessoas, que me mal trataram, fisicamente e psicologicamente, que me violentaram  no meu ser mais íntimo…

Choras, porque que te sentes magoado por te dizer estas coisas, mas a verdade é que nunca irás perceber, porque nunca foste mal tratado. 

Choras porque Tu não percebes. 

Choras porque és incapaz de perceber! 

Eu aceito isso. Mas, apenas te peço que não sejas agressivo, porque isso eu não vou tolerar. E explico-te que ser agressivo não é precisco, haver contacto físico. 

Se calhar é isso que eu faço ao André e é por isso que discutimos.
Afinal, nao somos tão diferentes …tu sabes , tu conheces os meus pontos fracos. Sabes onde sou mais frágil, sabes aonde me atacar. E mentalmente, psicologicamente sou tão fraca. Não é verdade? Tão insegura que ela é? O que os outros vão pensar de mim? Ela não é capaz de dizer que não, de enfrentar, sempre se achou ou elo mais fraco. “Estou tão farto que aches que a vida é uma m…isto e aquilo…” Não foi o que disseste ontem? Aonde chegámos nós? Tu que nunca foste agressivo, nunca disseste uma palavra e agora, nem hesitas.

Aí dor! Porque existe? Porque teimas em viver dentro de mim? Serei eu a tua morada eterna?

Quando digo que da próxima vez que o fizeres que saio e provavelmente já não volto, tu simplesmente respondes: e eu, às vezes gostavas que fosses. 

E eu, acho que chego o Início do Fim!

Não sei, quando e como aconteceu, mas sei que dou comigo a pensar, como será a minha vida após este projeto a dois, falhado.

Aonde me vou refugiar? Aonde me vou esconder?  Como tu próprio disseste ontem, sais e vais para aonde? Talvez porque sabes que não tenho uma família como a tua, que te receberá de braços abertos até te refazeres. Pois é, não tenho! Não tenho ninguém! Nem pai, nem mãe, NINGUÉM ! E fui logo casar como primo da minha melhor amigar. Portanto, Acabo por ficar com menos. 

Os amigos esses, têm as suas vidas! 

Mas há sempre uma ponte, um carro abandonado. Não será a primeira fez na vida. 

Como se costuma dizer, a boa ovelha a casa regressa.! Talvez esteja na hora de regressar às origens. À miséria e a não sei a quê mais!

Nem família nem lugar nenhum para ir. Se calhar por isso ou ainda porque simplesmente te amo, ainda não sai de casa. Será? Já nem sei o que é o amor.

Mas se queres saberes, não vou sair. Se quiseres sais tu. Se bem te conheço irás perguntar como vais sustentar esta casa. Talvez te responda, fazendo aquilo que muitas fazem e que desconfio, digo desconfio, porque nunca ninguém me disse, que a minha mãe fez.

Sei que se sair não vou aguentar e provavelmente irei acelerar o processo de por termo a vida. Isto, porque quando penso ficar sem casa, sem miúdos, sem marido, sem nada, é como se estivesse a regressar a um passado do qual fugi. Fome, miséria e vergonha. Por isso porque nao acelerar o processo…!

Ficando ou saindo de casa a minha vida terá terminado.

A queda do que eu pensava que era o meu império ! 

De mim para ti, vó!

  

O prometido é devido!

E aqui estão os 54 minutos que faltavam para completar os 95 minutos dos 95 anos da minha avó, feitos ontem.

Desta vez optei por correr muito devagar e ir captando aquilo que me emociona e motiva ao mesmo tempo que ia dizendo: 

Esta é para te lembrares do calor que o mar nos pode dar.

Esta é para te lembrares do sabor de um carinho.

Esta para te lembrares como o céu também é bonito no inverno.

Olha o mar! Tão calmo! Consegues sentir?

Olha! Que céu tão azul por detrás daquelas nuvens!

Esta, esta e mais esta .

Cheguei a conclusão que estava a partilhar um pouco de mim. Dos meus medos, das minhas fragilidades, do meu desejo constante e incessante de ser amada, respeitada, reconhecida, através das fotografias.

Tantas fotografias queria eu tirar!

Alguém muito especial!

Hoje corri a pensar em si!

Cada passada, 

Cada respiração,

Cada pensamento,

Era em seu caminho.
Hoje, não corri por ninguém,

Hoje, corri apenas para si e por si.

Hoje, nem a chuva nem o vento me demoveu!

Tinha que fazer alguma coisa!

Queria senti-la, mesmo não tocando,

Queria vê-la, mesmo não olhando,

Queria estar, mesmo não estando.

Pedi a Deus que todos os meus, mimos, beijinhos, voassem e fizessem ricochete nas nuvens e, com a leveza de uma borboleta, poisassem na sua bochecha macia.

Pedi a Deus que lhe levasse um abraço, um bombom, que eu sei que tanto gosta, que lhe aquecesse o coração.

Entreguei a Deus um envelope selado com mil e um pedidos de desculpas. Um deles é por não estar mais presente. 

Perdoa-me vó!

Aqui ficam os meus 7km, 41m, que eu gostava que fossem 95, pelos seus 95 aninhos.

Muitos Parabéns!!!!!!

Gosto Muito de Si!

P.S. Amanhã vou tentar correr pelo menos mais 54m para perfazer os 95m.

Porque apareceste?

Porquê?

Diz-me porquê!

Nunca o fizeste antes. Pelo menos desta forma.

Diz-me porque decidiste aparecer, enquanto dormia. 

Não disseste nada. Não te mexeste. Mas sei que eras tu. Vi-te a cara. Estava coberta por um lenço. Sei que eras tu! 

Porquê? 

Sempre que aparecias estavas morta. E sempre me disseram que sonhar com mortos era sinal de vida.

Não voltes! Não preciso! Não agora! 

O que será que aconteceu?

Se estou preocupada? 

Não! Só não quero que me perturbes ainda mais. Não posso permitir que isso aconteça mais. Ando a lutar para que isso nunca mais aconteça. Por isso, não apareças mais!

Quero que saias da minha cabeça e dos meus pensamentos!!

Fizeste-me tanto mal que estou a fazer o mesmo aos meus filhos.

Não consigo ser feliz por tua causa e estou a fazê-los infelizes.

Já não falo com o André desde 6ª feira. Não consigo perdoa-lo. Se calhar nem amá-lo tal e qual como ele é. Só penso em feri-lo. Ele é meu filho!!!! Foste tu que me transformaste num MONSTRO.

VAI-TE EMBORA!!!!!!!! DESAPARECE DA MINHA VIDA!!! SE EU PUDESSE A PAGAR-TE.

A mais difícil de todas!

  
Hoje fiz a minha 4ª prova de 10k e por sinal foi a que mais me custou, apesar de ter melhorado o tempo.
Não escondo que procuro em cada prova melhorar o tempo. Gosto de sentir que consigo superar-me. É isso que me atrai na corrida.

Hoje, as coisas não correram como o esperado. E não vou atribuir as culpas à chuva. Vou atribuir à falta de concentração que quase me fez desistir.

CONCENTRAÇÃO é a chave de tudo!

Pensar que no fim‑de‑semana passado tinha corrido a meia maratona e agora estava quase a cair e nem tinha feito 5 kms.

Bem, respirei fundo, fechei os olhos, abrandei o ritmo e tentei abstrair-me de tudo e de todos que me rodeavam naquele momento.

Porque vieste correr, hoje? Qual o teu propósito de hoje? Perguntei a mim mesma.

Primeira coisa que me passou pela cabeça foi, buscar forças e sorrisos, para mim e principalmente para aquelas crianças que sofrem de cancro. 

Sim! É por elas que hoje estou a correr e a dar ao litro.

Enquanto penso no que me motiva dou comigo a passar os 6 kms. Realmente precisamos mesmo de empurrões.

Algo me fez desconcentrar outra vez. Outra vez dor de burro? Não!!!

Volto a tentar focar-me e dou por mim a pensar nos meus alunos .
Em que cada prova é um teste de matemática e cada treino é um hora de estudo onde se faz vários tipos de exercícios.

Não posso desistir, pensei eu! 
Não existem duas provas iguais, mesmo que trabalhemos a mesma coisa ou talvez mais, por vezes as coisas não correm como esperamos.
É preciso perceber o que está a correr mal naquele momento e alterar estratégias de forma a que consiga mudar o rumo dos acontecimentos e pelo momentos terminar a prova, independentemente do lugar.

9 kms? Boa! Tento puxar mais um bocado mas já não dá! Hoje não consigo!

E não é que passa por mim uma senhora que deve ter 70 e tal anos a correr super concentrada e com uma determinação que fez calar os meus pensamentos derrotistas.

Cala-te Daniela, deixa de ser lamechas e corre!

E lá fui eu cortar a meta, nada satisfeita com a prestação apesar de ter batido o PR dos 5kms e dos 10 kms.

✔️10 km ✔️55:37 ✔️5:34m/km
✔️5 km ✔️ 27:23

Tudo por Um Sorriso!