Faz-me um favor !

  

Hoje lembrei-me de ti!

A noite de ontem foi um fiasco e a manhã de hoje começou mal.

Sai de casa, com o coração a chorar.

Ele estava ao piano. Cada nota era sentida tão intensamente que doía. A melodia da música era tão forte que feria o que há-de mais profundo em mim.

Perguntei-lhe o que estava a tocar.

Alleluia! Respondeu!

Senti uma enorme vontade de sair dali, tal era a emoção, o sentimento que aquela música me provocava.

Fiz-lhe apenas uma festa na cabeça, e disse para mim mesma, aconteça o que acontecer, faça o que fizer, a culpa não será tua! Será sempre da minha incapacidade de amar, de viver, de me entregar, de perdoar, de me perdoar, de acreditar em mim e nos outros.

Pego na chave o carro e saiu de casa. Tenho uma aula para dar (só o faço porque é preciso pagar as contas, porque às vezes a vontade é tão pouca e outras vezes é o que bem mantém longe de pensamentos mais perigosos).

Vou na auto estrada e acelero, a estrada está molhada o carro escorrega, mas não me assusto, continuo concentrada e embrulhada nos meus pensamentos, eis que de repente olho para o céu e lembro-me de ti.

Onde anda tu meu amigo?

Como estás?

Como é a vida ai em cima?

Gostava de saber que o nosso Pai tem guardado para mim. 

Diz-lhe que já não aguento muito mais. Pergunta-lhe se ele tem um lugar para quem pensar ir mais cedo ter com ele. 

Pergunta-lhe porque é que ele me faz isto? !

Pergunta-lhe porquê eu?!

Pergunta-lhe se já não chega!

Pergunta-lhe como hei-de ultrapassar toda esta trapalhada em que me encontro.

Pergunta-lhe se isto é um castigo!

Pergunta-lhe se toda a humilhação que passei, se cada bufetada da minha mãe, se cada vassoura, se cada colher de pau partida em cima de mim, se cada mangueirada nas minhas pernas, se cada abuso noturno do homem dela, se foi castigo!

Pergunta-lhe se cada murro, maus tratos do meu irmão, foi castigo!

Pergunta-lhe se cada não prestas, não vales nada, és uma oferecida, és uma puta, foi castigo!

Pergunta-lhe se já não chega!

Diz-lhe que os estragos já são tão grandes que a vontade de viver a força de viver já é quase nula que nem a existência dos filhos começa a valer.

Diz-lhe que o que quer que tenha feito, que me arrependo, diz-lhe que peço desculpa, diz que preciso de pouco de paz.

Não aguento ouvir a tua palavra e não me sentir ainda mais perdida.

“Nada te faltará!”

“Eu estarei sempre contigo” 

Avé Maria de Schubert! Meu Deus ! Recuei 3o anos. Tão vulnerável ! Sentada com a cara tapada, escondida e a tentar controlar tudo o que sinto. Num impulso saio daquele lugar e vou respirar um pouco de ar. A música essa continuo a ouvir cá de fora!

Desculpa filho! Desculpa filhos! Desculpa meu Amor!

Faz-me um favor!  Intercede por mim, meu amigo!

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