Como valorizar algo que nunca se sentiu…

Por vezes pergunto-me porque tenho tanta dificuldade em valorizar o que consegui com tanto esforço. 

O que será que o meus filhos sentem quando os abraço, quando lhe dou um beijinho, quando lhes digo que os amo, quando lhe digo que tenho um orgulho imenso por eles.

A única coisa que sei, que sinto é que sofro por não saber o impacto que estas palavras têm numa criança.

A única coisa que vivi nada tem haver com estes sentimentos. Tareias, castigos, bofetada atrás de botefadas, nomes feios atrás de nomes feios. 

Não serves para nada. Trabalho árduo o dia todo, em troca de brincadeiras, em troca de escola. Aí de mim se não limpasse o pó como deve de ser, aí de mim se me atrevia a ir brincar em vez de arrumar a cozinha. Isto com 9, 10 anos. E, enquanto eu fazia tudo isto, sem me queixar, aí de me se o não fizesse, pois havia sempre uma colher de pau, uma vassoura e até uma bangueira de uma botija de gás à mão, a minha mãe, ou melhor a mulher que me pôs neste mundo dormia, fumava ou ia para o café.

Em vez de ter o que eu acho que todas as crianças devem ter, e por isso acho, que não basta ter filhos, é preciso ter capacidade para os criar, para os amar, tinha uma mãe que não só não me amava como me batia e como se isso não bastasse, tinha um ser desprezível a seu lado, que além de beber, abusava de mim. Cada vez que via a porta abrir fingia que estava a dormir, mas mesmo assim, sentia as mãos dele no meu corpo. Quando tentava chamar por alguém, havia uma mão que me tapava a boca. E quando a linha mãe descobriu ainda me culpou: “sua oferecida, és uma puta, entre outros nomes terríveis que se possam dizer a uma criança de 10, 11, 12 e por adiante.

Não há dia que não me lembre. Só Deus sabe o esforço que faço para pôr estes pensamentos de lado, quer esteja sozinha, com os meus filhos, com o meu marido ou até com os meus amigos. 

Fingi tantas vezes …

Mas não é só isso que me atormenta, mas sei que tudo o que me atormenta é fruto de todos este episódios.

Sofro, sofro e sofro. É um sofrimento tão grande que apesar de adorar os meus filhos e o meu marido, a única coisa em que penso é de baixar os braços. Desistir! Colocar o ponto final! 

Acabar com este sofrimento.

Porque é tão difícil sentir o que nunca se sentiu!

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