Adeus à vida…perdão meus filhos!

Adeus à vida!

Como fazê-lo?

Quando fazê-lo?

Aonde fazê-lo?

É preciso continuar a levar a vida como tudo estivesse bem.

Deixar carta aos filhos e marido? Sim ou não?

E se fizer como se fosse um acidente? A carta não faria sentido.

Valerá a pena? Eles nunca irão perceber, nunca irão aceitar.

Comprimidos, hoje em dia é difícil.

Pulsos? Muito duro para os miúdos e marido.

Talvez provocar um acidente? Mas estes nem sempre são fatais.

É preciso pensar bem.

É uma loucura. Nunca tinha tido coragem para escrever isto, apesar das inúmeras vezes que estas ideias já me tinham passado pela cabeca. Será que é agora?!

Tenho medo! Mas, afinal não vivi eu a vida toda com medo? Não vivi eu a vida toda a sentir dor? Esta será a última.

Não posso pensar no sofrimento deles, no sorriso deles, nas carinhas de cada um, porque senão o Adeus será mais difícil, a coragem cai por terra.

É egoísmo trocar o meu sofrimento pelo dos meus filhos. Eu sei! Mas se pensar assim nunca conseguirei fazê-lo.

Só me resta dizer que não culpo ninguém. Nem mãe, nem pai, nem irmão, nem marido, nem médicos, nem a própria vida.

Apenas me culpo a mim e à minha incapacidade de viver, de amar a vida, de amar os outros, de amar os promenores de cada dia e fazer deles o melhor que há de forma que os piores sejam irrelevantes e não tenham tanto peso sobre mim.

Eu! Só eu tenho a culpa do que me está a acontecer.

Pedir perdão é pedir demasiado. Mas é a única coisa que me resta.

Perdão!
Adeus Vida!

Despi o escudo e…a dor é maior.

Esforcei-me para despir o escudo que  tantos anos demorou a construir e que me permitiu sobreviver e até sonhar. Que me permitiu lutar contra a dor, contra o sentimento de inferioridade, contra o meu ser. 

Tentando, talvez ser o que os outros esperavam que eu fosse, não o que eu queria ser. Tentando imitar comportamentos que me permitisse sentir uma rapariga igual a tantas outras. Uma rapariga Normal. Sem marcas, sem manchas, sem nódoas negras externas e internas.

O medo que descobrissem quem eu era realmente, de onde eu vim, quem eram os meus pais. 

O medo que descobrissem, que eu não sabia quem era o meu pai, que tinha sido fruto de uma noite, que tinha andando em colégios a minha vida toda, que tinha sido espancada, abusada, por madrasto, por mãe e por irmão. Que tinha sido maltrata fisicamente e psicologicamente.

Medo de não ser aceite, de não gostarem de mim, medo, medo, medo.

Medo! Foi a assim que vivi a minha vida toda. 

 A linha da vida começou a ficar muito tênue e apenas pensava em pôr termo à vida. 

O que me segurou? Os meus filhos, sem dúvida. 

Procurei ajuda. Fui deixando cair o escudo. E agora, mais nua que nunca, mais exposta à dor, ao sentimento, sofro. 

Mas porque sofro? Mas porque dói tanto? 

É um sofrimento diferente, uma dor mais forte.

Eu sei que Não devia. 

Porque não sei dar valor ao que tenho, ao que contruí?

 Porque me sinto vazia?

Porque procuro nos outros algum que me preencha, que me deixe feliz?

Admiro as pessoas que têm o dom de apreciar e agradecer os pequenos momentos da vida e que para elas esses momentos bastam para serem felizes.

Terei eu força e coragem para seguir em frente? 

Magoou os meus filhos, fico indeferente ao meu marido, que não têm culpa nenhuma.

Porque faço eu, isto? Não gosto da pessoa que sou.

Será um mecanismo, para arranjar coragem? Será que sofriam menos?

Pois a única coisa que me tem passado neste últimos dois dias é acabar com esta dor de vez. 

E no final de contas, será que valeu a pena? 

Pois continuo a viver com Medo e com dor!

Amizade, Amor. Limites?!

O que é a Amizade? O que é o Amor ?

Quando digo amigos, refiro-me a Amigos, com A grande. Aquelas pessoas a quem confiamos os nossos segredos mais íntimos, a quem não temos que fingir que somos os que não somos é que nos aceitam tal e qual como somos. Ricos, pobres, a rir ou a chorar. Longe ou perto,  presencialmente ou por telefone estão sempre lá.

É desses a que me refiro!

Sei que deve haver haver limites entre um a psicoterapeuta e o doente. Mas se é crescer empatia, amizade. Ou será que isso é impossível?

Uma coisa é o que os livros dizem, é dizem que não é suposto, que o terapeuta tem de manter a distância e que é normal que o doente se envolva emocionalmente. Mas que cabe ao médico ter o cuidado de fazer o distanciamento para não pôr o tratamento em risco.

Confesso que tenho alguma dificuldade em perceber isso, se o sentimento de amizade for recíproco. Mas quem sou eu?!

A verdade é que me envolvi, não pedi,não fiz nada para que isso tivesse acontecido.

Agora? Agora, sinto que tenho que dar mais espaço entre as sessões, tentar perceber se sou capaz de viver sem elas.

Porquê? Porque não quero sentir mais dor! Quero que esta atenue e eu consiga viver com o fato que eu sou uma mera cliente, doente, que vai a um consultório, que paga 70€ para estar a falar com uma estranha dos meus mais profundos medos, receios, traumas, defeitos. Mas que essa pessoa, nunca passará disso.

Se pensar bem…o impossível pode não tornar-se possível!

    
Se pensar bem…

Se pensar bem, existem coisas que não consigo controlar por mais que tente controlar.

Se pensar bem, por vezes tornar-se complicado, não me deixar envolver.

Se pensar bem, como é possível construir uma relação de confiança, sem nos envolvermos, sem nos darmos? 

Se pensar bem, existem pessoas que nos fazem bem, mas apenas por momentos, e que não nos devemos agarrar a elas. 

Se pensar bem, sou eu que exijo ou que espero mais do que aquilo que os outros estão disposto a dar, ou “podem” dar.

Se pensar bem, sou eu que vivo num mundo de ilusões, num conto de fadas.

Se pensar bem, sou eu que acredito que os outros se Preocupam realmente connosco. 

Se pensar bem, até onde vai essa preocupação?  

Se pensar bem, o que é a vida?  Pessoas  que tentam encontrar o seu lugar, que fingem que se preocupam com os outros, ou apenas se preocupam de vez enquando. Quando lhes dá jeito, quando estão para aí virados.
Se pensar bem, não somos todos assim? Egoístas? 

Se pensar bem, o problema sou eu, não os outros.

Se pensar bem, sou eu e este meu grande defeito de acreditar nas pessoas, de acreditar que o impossível por vezes se pode tornar possível.

Mas não é preciso pensar nem um bocadinho para sentir a dor que o impossível provoca.

É preciso construir uma nova barreira, contra este sentimento. Porque não escolhemos de quem nos faz sentir bem. 

Mas por vezes o possível tem de ser impossível!

Será?! 

Vai correr tudo bem!

Vamos a caminho e uma sensação estranha se apodera de mim, como se fosse  um pressentimento.

Tento não pensar muito e pensar noutras coisas. Mas em vão, o pressentimento continua.

Chegámos ao quarto do hospital. Vem uma enfermeira, o olhar dele começa a fica tenso, os músculos da face não se mexem. Eu, não consigo vê-lo assim. Fico destroçada. Começo a brincar com ele, com a roupa que tem de vestir.

Consigo arrancar-lhe um sorriso! Felizmente o quarto tem televisão que o entretém até à hora da cirurgia e eu agarrei-me à leitura, para me distrair.

Está na hora! Ouve-se alguém dizer. Era um auxiliar médico. 

Já! – diz o meu filho, apreensivo.

E, de repente pegam na cama e leva-no do quarto. Tento falar com ele, dizer-lhe que vai tudo correr bem, mas lá está ele novamente tenso e eu impotente e sem o conseguir anima-lo.

Estamos na sala de espera já no operatório. 

Tenho de fazer alguma coisa, penso eu!

O meu meu filhote ali deitado, com o coração a sair-lhe pelo peito,’o meu filho, que tenho um sorriso mais lindo, neste momento não consegue sorrir, os lábios simplesmente não mexem.

Olho para ele e para o meu marido, igualmente tenso, e penso tenho de fazer alguma coisa. Silêncio, agora não ! 

E sem me preocupar com as figuras, nem com as pessoas, começo a dizer e a fazer parvoíces. 

Consegui por momentos ver, novamente, o sorriso, que pensamento dele fosse noutra direção, sem ser naquela operação.

Finalmente é chegada a hora. Dou-lhe um beijinho na testa, fazemos o nosso aperto de mão, disse que ia correr tudo bem, mas…esqueci-me dizer que gostava dele, que o amava …

E aquele pressentimento…

Vai correr tudo bem!

Momento Perfeito

 
Deito-me no sofá.

Ele senta-se ao piano.

Meus olhos fecham-se

Meu coração emociona-se

Cada nota tem o dom de apaziguar o meu corpo.

Fecho o olhos!

Deixo que a melodia das notas me invadem, 

Deixo que a lágrima caia porque tudo é perfeito e a dor dos últimos tempos parece atenuar.

Deixo que as mãos fortes, que me fazem arrepiar só com o toque, que me arrepiem com a simplicidade, a força, a garra das teclas.

Era capaz de o ouvir tocar o dia todo!!!!

É simplesmente mágico! 

Obrigada Meu Amor!

Silêncio!!

Este momento é perfeito!

Lembra-te de nós…assim…!

Só para te dizer que gosto muito, muito de ti e pedir-te que penses um bocadinho em mim, mas com carinho e se conseguires com amor. 

Lembra-te apenas de nós nas últimas horas e vamos concentrar-nos nelas e torná-las infinitas!

Lembra-te como fomos feliz, únicos.

Lembra-te como o mundo parou e éramos só nós, os dois.

Lembra-te como nos olhamos ontem, como nos sorrimos, como nos tocámos.

Lembra-te como os nossos corpos se encaixam na perfeição,

Lembra-te que já há muito tempo que não nos olhávamos como nos olhámos ontem, embora eu continue a ter vergonha,

Lembra-te apenas de nós os dois juntos, de como o nosso Amor é enorme.

Não deixes que eu o estrague! 

Não deixes de lutar por nós!

Não deixes que lute por nós!

Porque nós valemos a pena!

Amo-te meu Amor!

Meu coração agora mais em paz continua cheio de amor por ti.

Apenas te peço que me perdoes, que tenhas um pouco mais de paciência comigo! Sei que é difícil!

Apenas te peço um abraço, um carinho, um beijo. 

Apenas te peço o teu Amor. 

Pois é dele que vivo, é por eles que vivo e sobrevivo. Sem eles nada fará sentido. 

Sem o teu amor, sem o teu sorriso, eu morro, deixo de existir.

Por ti me apaixonei, por ti quero continuar apaixonada até morrer.

NÃO DEIXEMOS A CHAMA APAGAR! 

CADA DIA UMA CHAMA DE COR DIFERENTE!

Hoje alaranjada, amanhã avermelhada, não importa a cor. 

O que importa é que a cor da nossa paixão seja viva  e ardente

Amo-te meu Amor!